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Sobre as formas desejantes e o contato com o diferente

Um dos grandes enigmas humanos é a radicalidade da diferença das formas desejantes: afinal de contas, porque uma pessoa pode ter seu desejo orientado de determinada forma e para determinado tipo de pessoas que nada despertam em outras?

+Afinal, o que determina a orientação sexual de alguém?

É como se suportássemos conviver com essa imensa interrogação sobre como é a forma desejante alheia, conformados com respostas gerais e genéricas.

Perguntas do tipo: “Como você pode gostar DISSO?” ficam sem resposta.

Na verdade, não precisamos pensar em fetiches ou temas muito incomuns: um homem heterossexual pode ter essa mesma pergunta com relação à mulher com quem se relaciona, já que, para ele, desejar e amar um homem da forma como sua parceira o faz é inconcebível. Esse exemplo extremamente comum não tem nada de insignificante: ao contrário, é bem ilustrativo! Vejamos!
 

É possível que diante de uma forma desejante diferente da minha eu utilize uma resposta padrão do tipo “O outro é assim e eu sou de outro jeito porque somos complementares, é assim mesmo, sempre foi e sempre será!”, resposta que, na verdade, nada responde, apenas convida ao conformismo do não-saber. 
 
Outra possibilidade é a de aceitar e tolerar a diferença alheia, entendendo que a diversidade de formas desejantes é importante para a sociedade e que apesar de não se ter uma explicação para esse mundo de diversidade e nem ser possível sentir do jeito que o outro sente, há beleza na diferença e com ela é possível aprender, questionar padrões, ficar menos preso a normas sociais rígidas e que não garantem efetivamente nada. 
 
Em todo caso, sentir da mesma forma que o outro sente, feliz ou infelizmente, continua sendo uma impossibilidade humana, diante da qual algumas respostas podem ser dadas, sendo uma delas a negação da forma desejante alheia, julgando-a inapropriada, errada, condenável e agir para fazê-la desaparecer ou, ao menos, não ser expressa socialmente.

Uma das raízes do machismo pode ser esta: o desejo da mulher heterossexual é enigmático ao homem heterossexual, incompreensível para este, portanto o machista o considera absurdo, errado, devendo a mulher apenas cumprir seu papel de satisfazer o verdadeiro desejo, que o machista crê ser o seu, e exercer sua função biológica de lhe dar filhos. 
 

As demais variantes do desejo, por sua vez, como não atendem nem ao desejo do machista nem à finalidade da procriação, estariam para além de toda e qualquer compreensão e, portanto, de qualquer aceitação possível, e aqui encontram-se laços entre o machismo e a lgbttfobia.
 
Este exemplo da forma do machista de lidar com outras formas desejantes também pode ser aplicado a outros contextos, como o de gays que recriminam outros gays que gostam de homens acima do peso, muito magros ou de homens afeminados, o de mulheres heterossexuais que se enojam diante de outras mulheres se beijando e por aí afora.

Isto pode ser resumido em “minha forma desejante é a correta/ a melhor / a única compreensível e a do outro é bizarra, esquisita, feia”. Um exemplo em épocas de Carnaval é o de homens que se vestem de mulher: muitos não estão fazendo isto por sentirem-se maravilhosamente bem com vestido e maquiagem da mesma forma que uma mulher (cis ou trans) pode vir a se sentir, mas sim pela transgressão de estar usando algo “não apropriado” que vira, portanto, piada.
 

Acontece que é só uma aparência a certeza que se tem da própria forma desejante.

Da mesma forma que não é possível sentir do mesmo modo que o outro, tampouco se sabe o porquê de desejar da forma como se deseja, individualmente. Sente-se, pura e tão somente. E isso, às vezes, rompe barreiras sociais, como as diversas orientações sexuais além da heterossexual o fazem, bem como as identidades de gênero.

Noutras vezes, não se sabe direito o que se quer do parceiro(a) amoroso e sexual.

Enfim, entender-se, descobrir-se e aceitar-se são igualmente tarefas difíceis (inclusive para heterossexuais, embora estes não precisem lidar com muitas das barreiras que LGBTTs enfrentam)!
 

Quando Freud postulou o inconsciente talvez estivesse às voltas com a problemática do enigma da constituição individual do ser humano, da busca pelos porquês de se tornar desta ou daquela forma, dos processos pelos quais se passa que desembocam em formas desejantes específicas para cada um, processos que acontecem mas dos quais nada se sabe conscientemente.
 
Isto posto, é possível que venha dessa tarefa de descobrir sobre si mesmo que a sabedoria popular diga que quem é bem resolvido, quem se aceita e descobre um tanto a mais de si, também tenha bem menos problemas em aceitar e acolher o diverso! 

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