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Produtor britânico é preso em Uganda por montar peça sobre gays

Residente em Kampala, Uganda, David Cecil (foto) é um produtor britânico que dirige uma trupe de teatro e um centro cultural privado – e encontra-se preso no país africano. Motivo: desafiou uma das legislações mais homofóbicas do mundo e exibiu uma peça que trata do tabu da homossexualidade em solo ugandense, mesmo depois de previamente banida pelas autoridades, informou o jornal The Guardian no último fim de semana.

Intitulada O Rio e A Montanha, a peça, escrita pelo também britânico Beau Hopkins, aborda o destino trágico de um homem que assume ser gay. A peça, que além de atores, também conta com direção ugandense, foi exibida em diferentes salas em Kampala mês passado e discute as motivações por trás das tentativas de endurecer as leis antigays do país, já bastante severas.

Não precisa dizer que a história não agradou em nada ao governo. A peça não demorou a ser "analisada" pelo Conselho de Mídia de Uganda, que enviou uma carta ao produtor dizendo que a peça não deveria ser exibida até uma tomada de decisão – mas Cecil continuou a montagem. Resultado: foi preso sob duas acusações: ter produzido uma peça sobre homossexualidade "e montar a peça enquanto estava sob exame", confirmou um porta-voz da polícia de Kampala.

"Essa peça está justificando a promoção da homossexualidade em Uganda, e Uganda não acomoda causas homossexuais", disse o Ministro da Ética Simon Lokodo, ainda segundo o The Guardian, ao justificar o banimento da peça pelo Conselho de Mídia. Na época, David Cecil suspendeu a apresentação no Teatro Nacional, mas a manteve em dois teatros de Kampala.

O britânico deverá permanecer na cadeia até a próxima segunda-feira, quando um tribunal avaliará se pode sair sob fiança. Ativistas de direitos humanos da África e da Europa avaliam que a prisão do produtor tenha sido uma forma de intimidar o movimento pelos direitos gays em Uganda.

O país africano é um dos mais severos na condenação à homossexualidade. Atualmente, atos homossexuais são punidos com prisão perpétua, e há um projeto para instituir a pena de morte em casos de "recorrência", com parceiro HIV-positivo ou com um menor, que tem o apoio das igrejas evangélicas locais e do presidente Yoweri Museveni. Pressões dos Estados Unidos e países europeus que contribuem para o orçamento público do país, porém, têm adiado a votação. Discutir sobre a homossexualidade em Uganda, por sua vez, resulta em prisão de 7 anos.
 

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