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Policiais contam sua versão para Stonewall

Que Stonewall foi um marco para o início da luta dos homossexuais por seus direitos isso todo mundo já sabe. Que milhares de gays apanharam, foram presos ou humilhados, isso também já estamos carecas de saber. Não importa de onde vem a informação: de algum veterano, historiador ou ativista gay. É fato que quando se fala no assunto as visões são quase sempre as mesmas. E as histórias se repetem. Poucos, no entanto, se preocuparam em saber a versão daqueles que teriam realmente começado toda a confusão: os policiais. Ironicamente, como um feitiço que virou contra o feiticeito, eles deram início ao que se convém chamar de "Movimento Homossexual Moderno". Desde já, só temos que agradecê-los.

O site A Capa tentou, infelizmente sem sucesso durante alguns meses, entrar em contato com um policial por e-mail. Falta de tempo, de paciência ou vergonha de falar? Não sabemos o motivo do silêncio. Pode ter sido apenas uma falha no sistema, quem sabe. Mesmo assim, para não deixar passar em branco, selecionamos duas matérias em que alguns destes agentes apresentam as suas versões sobre a rebelião de 69. Ambas foram publicadas em 2004, quando o levante comemorava seu trigésimo-quinto aniversário, em dois periódicos novaiorquinos: o "Southern Voice" e o "The Villager". O primeiro traz a versão dos policiais do sexto distrito, responsáveis pelo patrulhamento do Village. Estes eram acusados de conivência com os mafiosos donos dos bares. Já o segundo traz a história de Seymour Pine, delegado da Primeira Divisão, que teria promovido a batida sem o consentimento dos colegas do Sexto Distrito. O resultado dessa confusão, felizmente, já sabemos no que deu…

A versão do Sexto Distrito
O jornal Southern Voice, no dia 25/06/04, entrevistou dois policiais – Frank Toscano (na foto, o segundo da esquerda para a direita) e Tommy Noble. Eles teriam sido os primeiros a chegar no Stonewall, na manhã do dia 28 de junho. Segundo a reportagem, uma ligação anônima teria denunciado uma confusão no local – causada, em geral, por algum hétero que entrava no bar por engano. Toscano diz que a polícia mantinha bom relacionamento com os gays. "Claro que também havia policiais que os odiavam e vice-versa", disse Toscano, revelando ainda que muito oficiais frequentavam os bares nas folgas, porque "os chefes nunca iriam procurá-los nesses lugares".

Ao chegarem no local, no entanto, tudo estava em ordem. Eles se foram e, minutos depois, outra ligação: desta vez um policial fora esfaqueado no banheiro do Stonewall. Voltando lá, nada encontraram novamente. Toscano desconfiou, então, que fosse trote e alertou o bartender. Foi nesse momento que agentes à paisana entraram, anunciando a batida. "Sempre achei que eles passaram os trotes", disse Toscano referindo-se aos agentes da Primeira Divisão. Segundo especulações, eles teriam tido vergonha de pedir reforço a outro distrito. Toscano afirma que os agentes da Primeira Divisão, responsáveis pelas batidas (e não seus colegas do Sexto Distrito), é que tinham problemas. "Os gays nunca quiseram confusão, só queriam que saíssemos de lá".

O que era para ser mais uma batida, entretanto, tomou proporções nunca vistas. Frank Toscano estava no corredor do bar quando um cliente se aproximou, chamando um policial de "homossexual latente", que por razões óbvias não deixou barato. "Foi este homem baixo, sem camisa e com jaqueta de couro que iniciou a rebelião e não uma drag. Ele correu gritando que os policiais estavam matando as pessoas. Outro homem fez o mesmo", revela. Minutos depois, uma garrafa teria voado em direção à porta do bar. Toscano viu a multidão que se agrupava do lado de fora e por meio de um rádio pediu reforços. Ele nega que manifestantes tenham tentado queimar o bar. "A verdadeira história da rebelião veio depois dela. Os policiais foram obrigados a entender sobre questões gays". Toscano ressalta que hoje sente orgulho pelos que lutaram. "Gosto de quem briga por seus direitos. Foi a primeira vez que vi gays lutarem", finaliza o policial, que pretende transformar a história em roteiro de filme, com nome provisório de "RMP 2499" – número da viatura que dirigiu no dia da rebelião.

A versão da Primeira Divisão
Já o periódico The Villager, em 16/06/04, publicou depoimentos de Seymour Pine, com então 84 anos, ex-delegado da Primeira Divisão. As declaração foram dadas durante lançamento do livro "Stonewall: the riots that sparked the gay revolution", de David Carter, na Sociedade Histórica de Nova York. Pine, aposentado desde 1976, admitiu que a polícia era tendenciosa com os gays. "Eles certamente foram prejudicados, mas ninguém tinha ideia do que era ser gay", afirmou. Segundo o ex-delegado, havia pelo menos duas razões para as batidas promovidas pela sua unidade: o fato de os bares serem de mafiosos e a necessidade de preencher a qualquer custo estatísticas de ocorrências relacionadas a prisões. "Os gays eram presas fáceis, não causavam problema", justificou.

Na época da rebelião, a polícia do Sexto Distrito recebia gorjetas da máfia, que estaria envolvida em negócios até na Europa. Os agentes acreditavam que bares como Stonewall, com funcionamento até tarde, favoreciam esquemas ilícitos. "Se fechássemos esses bares, poderíamos ver o que aconteceria a outros locais por trás do esquema", disse Pine. Ele afirma que várias limousines paravam na porta do bar nos sábados à noite. "Não tivemos nada com aquela gente e nunca promovemos uma batida com eles no local", admitiu. De acordo com David Carter, o proprietário do bar era mesmo um o mafioso, o Fat Tony.

"Quando a confusão começou, havia duas agentes vestidas de lésbicas e dois policiais à paisana. Eles diziam quem vendia drogas ou promovia atividades ilícitas", disse Pine, que aguardava do outro lado da praça com o detetive Charles Smythe uma indicação das agentes para iniciar a batida. Para estranhamento do então delegado, no entanto, nenhum sinal dos agentes foi dado. "Cheguei a pensar que estavam com problemas ou tinham esquecido do combinado".

Os policiais, então, invadiram o bar, derrubando a porta à procura de menores de idade. Eles esperavam que os gays fossem se organizar calmamente em fila como de costume. Mas a reação foi outra. "Quando entramos, eles não queriam sair". David Carter explica que rumores de que a polícia estaria batendo em jovens no bar fez com que gays se unissem do lado de fora. Foi quando começaram a jogar pregos, moedas e objetos perigosos – como um parquímetro, que chegou a ser usado para arrombar a porta. "Os policiais estavam assustados. Meu medo era que perdessem a calma. Se alguem tivesse puxado o gatilho, estaríamos mortos. Jogaram coquetel molotov, mas colocamos para fora", desabafou. Ainda de acordo com Pine, uma oficial planejava fugir por um respiradouro no telhado, para chegar até o Corpo de Bombeiros, onde havia um rádio da polícia.

O reforço, no entanto, demorou mais do que o habitual. Pine acredita que o Sexto Distrito estava se vingando. "Eles não eram eficazes em manter esses bares propriamente controlados. Não avisamos a eles sobre a batida, por isso a vingança", revelou. Duas viaturas chegaram e Pine pôde finalmente sair. Segundo o livro de David, a geografia ajudou a rebelião, porque a região é próxima a três grandes avenidas e a seis estações do metrô. Outro fator que ajudou foi a morte da atriz Judy Garland. "Se soubesse, nem teria feito aquilo", arrepende-


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